Casa Hum


O Tártaro
April 9, 2008, 2:57 am
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Acima das pontes do tempo
A escuridão pode trazer
Um presente sincero e exato
Cujo ninguém pode descrever

No chão, bem aqui padeço
Em meio a essa imensidão
Com santos de aço e concreto
Somente uma sombra na escuridão

Por entre os dedos escorre a areia
Dos tempos que se foram logo
E para os dias que restam
Por horas boas eu rogo

Se na vida nada se esquece
Se na alma nada se cala
Deixo o sangue que cobre minha veste
Interromper essa minha fala

E as lágrimas que deixo no mundo
São sinais de minha dor
Assim a falência da existência
Tem ao menos algum sabor

Como o amargo da ilusão
Que assolou meus olhos brandos
Irrevogou as minhas preces
Trouxe de volta meus prantos

Se a tudo devo a Deus?
Não, tudo devo a mim
Pois não nasce flor alguma
De esperança em meu jardim

Esqueço-me de tudo o que passou
Na missão que a mim foi convertida
Mas se piedade ainda existe
Que ao menos olhem por minha vida



A Primeira Insônia
April 9, 2008, 2:23 am
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Estou aqui sozinha,
Nesse momento
Me sinto presa num destino,
Louco desatento

Que me mostrou um tipo
De tratamento
Para curar a dor e tirar
Meu tormento

Quando você não dormir
Deite ao relento
Que o sono vem,
Vem como o vento.

[meu primeiro poema documentado - data de jan/2003]



Prova de Amor
April 8, 2008, 10:27 pm
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Pear . occisioth

De mãos atadas eu perco o caminho
Eu ando descalça
Eu vejo o sol nascer e se pôr

De mãos atadas eu olho para mim
Eu olho para tras
Eu quero ir para onde for

Você, me ensinou a andar lado a lado com a dor
Você me ensinou a dizer “eu te amo”
Me ensinou a entender o amor

Você que está sem carinho
Não fique sozinho
Eu te acolherei

E nos seus braços a dor se esvai
E minha vida decai
A espera de um beijo seu

E o meu coração dispara
E minha alma se depara
Com uma ardente paixão

E os meus braços te atraem
Para os caminhos levarem
Você ao meu coração



Marisa
April 6, 2008, 1:52 am
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Diga a mim que me ama
Diga sem dizer com palavras
Diga com o olhar

Passe os olhos por todas as frestas da minha alma
Sinta o que eu sinto
Sinta o pus vazando desvairadamente da ferida aberta

Que agradável gosto deve ter a vingança?
Não me peça para morrer
Já morri há meses

Sou só o pó da terra virgem
Chorando pelo filho bastardo

Olha que linda a chuva
São cristais rubro sangrando
Zeus cortou os pulsos novamente
E Afrodite bebe seu plasma
Com suas vestes negras
Que escorrem por entre aquelas nuvens do leste
Fazem com que o mundo se entristeça

Não amo
Porque, realmente, eu sou
Sou o ladrão sentimental de mim mesmo
E desse mar de sal que bóio até me entregar



O homem que assistia
March 28, 2008, 2:19 pm
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Nasceu e assistiu o médico dar-lhe palmadas, não chorou, estava muito entretido naquela cena para prestar atenção em dor.
Cresceu e assistia seu pai e sua mãe a brigarem, sempre esperando o próximo capítulo.
Foi pra escola e assistia atentamente as brigas dos maiores e mais fortes com os menores e mais fracos, até com ele mesmo, não reagia, queria saber o que aconteceria no final.
Foi adolescente, aí criaram um aparelho que transmitia tudo o que se passava ao redor do mundo, não saia da frente dele, era muito interessante usar suas menções no dia-dia.
Guiava-se por aquele aparelho: “Nova tendência de Milão: calça verde com blusa cor de abóbora”, não tinha discussão, jogava todas suas roupas fora e comprava as que se dizia ser certa.
“Devemos cultuar Santa Alice dos Carecas de Suspensórios Listrados”, e assim virou devoto, comprando com suas miseras economias as estatuas, santo -sudários, relógio com o emblema da santa, até o carro que tinha misteriosamente aparecido no retrovisor o fio de cabelo que diziam ser da santa.
O homem, então, enlouqueceu. Perdeu sua mãe, e assistiu seus irmãos chorarem as beiradas do caixão. Perdeu sua namorada e assistiu sua mobília ir embora junto com ela, sobrando somente a santa, suas calças verdes, suas blusas cor de abóbora e o aparelho.
Assistia tudo tão atentamente, entrou na cadeira de tal forma que seu corpo já não se distinguia dela.
Seus olhos afundavam pra dentro da cara opaca por falta de banho de sol, sua cabeça não mais pensava, sabia somente das programações, não lia há décadas, não trabalhava a milênios e as contas da casa se acumulando.
De repente o aparelho desligou-se sozinho. Não havia mais homem, não havia mais luz, não havia mais gente, não havia mais nada.
A programação terminou.



O Primeiro
March 11, 2008, 12:48 am
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Suspensos nesse pilar de futilidade estamos
Sofrendo a cada passo em falso
Dizendo palavras de ternura em vão
Causando repulsa e desespero
Mundo fácil de fáceis faces
Mundo grande de múltiplas escolhas
Estamos presos em uma redoma de cristal
Estamos ébrios de tanta ignorância
Estamos correndo contra navalhas
Caímos em um passado pecaminoso e sujo
Não queremos sair dele
Saboreamos cada sentimento pútrido da alma
Choramos, então, lagrimas de fel
Para enfim morrermos afogados em sangue inocente
Em hora, somos carne
Em hora, somos palavras
Suspenso nesse pilar de futilidade estamos
Pularemos ou não
Continuaremos aceitando os podres odores da sociedade?
Ignorando o fato de que existimos para o mundo.
Fazendo-nos acreditar que a vida não é nada mais
Um momento, um abraço, uma lagrima, um sorriso
A coação é momentânea ou genética?
Podemos nos libertar dos fios do poder e nos colocarmos em pé novamente
Para que chorar, o choro é psicológico
A psicologia não existe.
Não somos nada
Você ainda não entendeu?



O Não-ser
March 11, 2008, 12:43 am
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Ele anda pela rua
Já são sete da manha
Ele está até feliz
Ele não sabe o que lhe aguarda

E vai para o trabalho
Cantarolando canções infantis
E vai tentar criar o amanhã
Ele não sabe o que lhe aguarda

O sol se despede do dia
a lua deita seus olhos na Terra
A rua vai ficando vazia
Ele não sabe o que lhe aguarda

A porta de vidro estoura
As vibrações ficaram intensas
Ele come seu prato de comida tranquilo
Ele não sabe o que lhe aguarda

E mais um dia ele abre os olhos
Mais responsabilidades o cercam
Ele é triste, mas esta feliz
Ele não sabe o que lhe aguarda

Havia um gato morto na calçada
Havia um cara morto na esquina
Ele passava sem nem notar
Ele não sabe o que lhe aguarda

Naquele dia o onibus não passou
Naquele dia o sol não clareou
Mas naquele dia ele se levantou
Ele não sabe o que lhe aguarda

Ele podia chorar, não pode
Ele podia correr, não pode
E segue a cantarolar a mesma canção
Ele naum sabe o que lhe aguarda

Os anos passam
Os dias esgotam o tempo de pensar
E ele continua a cantarolar
A mesma canção de ninar
Sua cabeça sobe
No horizonte azul escuro
A noite o cobre, a noite o queima
E ele continua a cantar
A mesma canção de ninar

Seria deus, seria o demonio
Seria a tristeza, ou a saudade
Ele não via nada, apenas o asfalto do caminho
Ele não sabe o que lhe aguarda

Porém o dia deveras chegou
Porem um dia o homem não levantou
E o caminho nem notou
Que o cara que andava por ali
Nunca mais cantarolou
E por fim aprendeu a dormir
Ao som dos anjo trovador
Cantando canções de amor



Suspiro
March 11, 2008, 12:35 am
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Não há vielas na cidade
Minha vida esta entre o movimento
O sangue que pulsa nas veias
São os caminhos da sobrevivência
As noites escuras apresentam as estrelas
E fazem-me lembrar do sol
O amanhecer que não acompanho a séculos
Na porta do castelo
A alcova petrificada, inerte
Como minha alma
Em momentos a saudade me assola
A vontade de esbanjar um sorriso
De sacudir a poeira apodrecida
O beijo da morte tomou-me nos braços
Estou só nesse mundo de sombras
E nada me satisfaz
A não ser a luz do luar
Que rebate em minha janela
Vejo um vulto vermelho,
A estatua de cera parece ter vida
O pano bordado parece chamar-me
Envolve-me, sucumbe.
O vestido morto cai sobre o assoalho sem cor
O amor carnal tomou conta
Suga-me até a ultima gota de sangue
Deixa-me perecer como um apaixonado
Não vejo nada nítido
“Meu Amor, antes de qualquer coisa
Me chame de Loenne”