Suspende seus braços
Cai lentamente
Suspende suas pernas
O movimento duro e pesado se repete
Seus olhos não reagem a luz
Sua boca pouco se importa com o beijo
Eu chorei
Achei estar morto
Em um anseio, uma gana convulsa
A chuva chorou também
A meia sombra refletida
A cortina que balança
E você inerte, imovel, semi-humano
A sua nudez palida não desperta luxuria
E os lençóis escuros só ressaltam seus cabelos longos
Era, pois, a visão mais bela ja relatada
Era, pois, o homem mais belo suspenso entre o Éden e a Terra
Suas mãos gélidas
Eu queria senti-la no meu corpo
Sua boca azulada
Eu quis sentir sua respiração
Mais perto, mais perto.
O chão brilhante faz uma aoreola em volta do seu leito
Carinhosamente eu lhe cubro a face.
Deve ter tido um sonho horrível
Quando isso passa você só sabe tremer e grunhir
Um animal desperto, convulso, defensivo.
Beijo-lhe os pés.
E quero acalantar seu sono.
Deito-me ao seu lado.
Não existe desejo.
Quando acorda, suando, passa-me a mão no cabelo
Dá-me um beijo calido na face rosada.
E volta a ser o homem mais belo da terra,
O sorriso mais lindo do mundo
Dentro da minha redoma de cristal na qual te conservo
Em meio ao ambiente hibrido da minha passionalidade
E o concreto que habitava minha cama acorda para a vida
Eu adoro quando você me olha assim.
Somos prisioneiros dos sonhos infinitos.
E choraremos ate nos acabarmos por dentro.

