Ah, maldita saudade
Me atordoa a vista
O corte audaz do vento
Tratam-me a extrema maldade
O cabelo voa empunhando
O laço de fita vermelho
Que na cor esconde a esperança
De olhos em frente ao espelho
É triste sim, não esperar
Porém a tristeza é nobre e bela
De tanto andar no passo do cavalo
A vida já toma o formato da cela
Embora eu verta lágrimas com o peito
Nos versos escrevo algo glorioso
Sentimentos dos mais puros que estreito
No tempo límpido amoroso
Assim, todos os cacos se unem
Formando o quadro do coração cortado
A saudade se assume pobre
Se perde no seu abraço apertado
Palavras ligadas, caladas
Palavras cansadas de tanto dizer
O que não se dizem escritas,
Até as não ditas não podem prever
O seu passo marcha lenta faz no tempo
Na terra se abrir
Não posso dizer do tormento
Enquanto o vento parar de existir
Então no galope cruel
Se passa, se laça em um pedestal
Balança de fato, não cai por dó
É feito de puro cristal
Lê rápido, esquece da vida
Pra tudo, a passagem é sempre sem rumo
Correndo em linhas curvas, papel e caneta
Chegando em Netuno.

