Pincela
Palavras coloridas
Cores, que rodam
Contorcem seu sangue
E minha cabeça
Me rondam, devagar
Eles querem meu sangue
E minha cabeça
No vestido tem a faca
A tesoura, o canivete
Defender a minha carne
Defecar na sua vida
Eu quero ver
Ver
Ver você ficar louco
Louco de ouvir sua própria voz
As paredes vão se fechando
Claustrofobicamente
Cegamente, um vão.
Então você vê o vestido
O vestido da faca ferida
Colorido de sangue
E com minha cabeça
Você está louco
E eu estou rindo
Com a tesoura na minha garganta
Onde teriam que ter palavras coloridas
Mas não, existem coisas correndo
Cores escorrendo, e rodando
Violentando o violeta
E tornando tudo muito mais violento.
Com minha cabeça
Cheia do seu sangue.
E depois de tudo passado
Estou sem forças pra reagir
Meu corpo dói confortavelmente
Na minha espinha alojou-se uma pedra de gelo
Que queima minha pele toda vez que penso
Isso seria tortura demais pra mim.
Martirizar-se agora adianta de que?
As estrelas continuam brilhando lá no céu
Nada muda aqui na terra
Minhas mãos suam
E eu deixo que a água caia lentamente
Pra tirar seu cheiro de mim
Isso é humano demais
Eu quero poder mais do que isso
Então a noite chega solitária
Dentro de mim, ando cambaleante
Como uma bêbada qualquer em qualquer lugar
Sinto ainda as mordidas que deixaram marcas na minha pele
O cão que entrou na minha vida,
Cavou um buraco nos meus sentidos
E desde então, mora lá.
Figuratividades a parte,
Eu simplesmente sonhei.
Filed under: Poemas
Se para cada corpo há uma boca
Se para cada boca há um beijo
Se para cada beijo há um abraço
Se para cada abraço há um sentimento
Se para cada sentimento há um outro
Digamos que o amor nos faz unificar
Digamos que a união nos faz desfazer
Então podemos concluir
Que afinal somos bonecos de areia de praia
Não resistindo a cada onda de sentimento
Sucumbindo a cada pisada morna
E sendo sempre compostos de várias unidades
Que sozinhas são nada mediante ao mundo
Mas juntas podem formar os mais belos castelos.
Estive eu pendendo entre um universo e outro
Andando entre nuvens claras que eu mesma esculpi
Eu pude dizer ser feliz em tal realidade
E por vezes eu pude sorrir comigo mesma
Estive olhando mascaras de corpo todo
Caras e bocas alegres com o mundo
O mundo que eu lhes dei
As mascaras me traziam sonhos
Pó, porem pó, tornou-se o paraíso
Pendendo entre um destino e outro
Com nuvens negras de saudade
E o nó entalado na garganta seca
Os dedos sangram de nervoso
As pernas trêmulas, um temor indescritível
Um futuro que já não me pertence
A hora de acordar passou a tempos
Como me acostumar fora do meu terreno
O paraíso que eu ergui com as mãos
O castelo de praia que eu achei
Achei que as ondas teriam piedade
“Elas nunca tem, isso passa” – escuto eu
“Não, isso não passa” – respondo pra mim mesma
Mas o tempo, sim. Esse é implacável
O meu implacável juiz do crime que não cometi
Idealizadora soa como mártir para você
Soa como infeliz e tola para mim.
Não serei lembrada como aquela que marcou
Mas sim como aquela que passou.
O pó, aquele pó nos sonhos
Das nuvens que viraram cinzas
E que escureceram meu céu
Eu desejei que antes fosse vermelho.
Do azul que eu cultivei, nasce o musgo
Que outrora tomou conta do sentimento
E foi estrangulando aos poucos a paz branda
Da alma que foi sucumbindo lentamente ao solo
Marrom, das lágrimas cor de terra
Onde o rosto aflito perece agora
Onde ele ficará até as mãos pararem de tremer
Abranda, abranda esse medo
E o destino parece tão suspenso
Artificial como aquelas flores que tu cultivas no vaso
Isso não engana mais ninguém
Até quando vamos viver como plástico
O descartado papel que foi testemunho
De algo complexo demais para ser dito por lábios
Uma vez que o tempo não foi o bastante
Pára de repetir as mesmas trivialidades
Estendeu a calda negra por sobre a Terra
Rogou oito pragas mortais e desceu para rir
Disse três palavras bonitas e subiu novamente
E o chão se rompeu, me rompeu em dois
Metade sentimental, metade genocida
A complexidade da coisa mais simples
O principio do fim que ainda esta por vir
O seu apocalipse abalando a minha natureza
E fica assim.
A sensação de vazio.
O cinza denso ante meus olhos nus
O vento cortante ante minha face já lacerada.
O sempre tem sempre um limite
Uma fina linha entre a lógica e a lírica
O que separa as duas metades
Uma pronta para amar, outra para matar.
Espera, espera o tempo passar
O céu encontrar o mar
Encontrar a terra que se pisa
Encontrar a mim e a você
E andar até as estrelas
No caminho que a espera fez
Na espera do melhor caminho
Tudo passando de flores a lágrimas
Do vermelho ao azul
E plana no espaço
Espaço entre a espera e o desejo.
Em meio aos coloridos
Em meio a embriaguez sóbria
Meu corpo encontra o seu
Os pensamentos se fundem
E os sons já não se fazem percebidos
A noite se aproxima só
Nos arrebata para dentro dela
São só sentimentos confusos que nos tomam
O tempo passa e nada surge
O que foi quente, gela
E tudo é esquecido.

