Casa Hum


Andante Sonambulo
March 26, 2009, 12:18 am
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O suposto trouxe a luz
E da luz nasce tudo o que vive
Em mim, para mim, por mim
Engolido e deglutido
Da saliva ao ópio
Do sangue ao ódio
Para tudo estar de novo
No lugar ao amanhecer
De circulos infinitos
Crescem os deuses da noite
Do sacrilégio louvado
A gota de humanidade do mundo
O que clama pela imensidão
E chora por não ser nada mais
Além da vontade dos outros
Além do pensamento de tantos
Estamos tão vulneraveis aqui
Sabemos onde o carroussel vai parar
Mas não sabemos a hora de sair.



Incógnita as avessas
March 24, 2009, 2:52 am
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Sonhei e pensei na tristeza
Um fato relevante em minha vida
A ausência mais que sofrida
Em doces olhares, surpresa

Eu ria e cantava cantigas
De amor que aos poucos sumia
No vento das juras antigas
Que por inteiro me consumia

Você, me afasta em sinal de decência
O choro acompanha a decadência
Do ser que um dia ja fui eu
Do seu sentimento, morreu

E aqui, nessa cruel inocência
Nesses comentários incoerentes
No qual não vale amar inteligentes
Mais vale falar de sua inteligência.



Suposição, oposição
March 23, 2009, 1:47 am
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Você dorme, eu acordo
Você ri, eu choro
Você faz, eu penso
Você fala, eu ouço
Você descansa, eu corro
Você usa, eu guardo
Você estraga, eu conservo
Você suja, eu limpo
Você culpa, eu aceito
Você seduz, eu amo
Você…
Antítese do meu eu.
Se entrelaça no final das contas.
Você…
Pesando sobre meus ombros
O peso que eu evito carregar.



É de ferro.
March 22, 2009, 6:04 pm
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No principio Deus criou a dor
A dor e a tristeza.
Depois criou um modo de senti-la
E assim tornou-se poético o suficiente
O suficiente para criar todo o resto do mundo.



Cáustico
March 22, 2009, 4:01 pm
Filed under: Poemas

Ando em meio ao limo esverdeado
O cansaço me abate
Nada posso fazer a não ser me deixar
Deixar corroer, pelas paredes
Arenoso, o terreno me afunda
Entra em mim, me fura
E corta a carne com princípio de necrose
Negra e com os olhos sangrando eu ando
Me desfazendo, não dói como parece
A mutação inevitável da vida
Inseto de esgoto que voa no sonambulismo
Com a visão preto e branco
Batendo em cada vidro
Girando em cada luz
E perdendo partes de si
Perdendo-se no caminho
As células se dispersam como penas sopradas
Se separam e riem de mim
É uma ilusão de morte
É uma ilusão de vida
A sobrehumanidade vivida
Por sobre a terra dos semi-mortos
ao subir o sol me cega
Mutante de pedra
Mutado do barro.



Mentes?
March 21, 2009, 9:29 pm
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É…
Findaram-se as palavras.
Estamos secos de sentimentos
Estamos mortos por dentro
Nostalgia é só o que podemos sentir
Já próximo do fim nos lembramos
Lembramos de algo bom
Para nos fazer gargalhar
E nos fazer esquecer das chagas
Pisamos, porém, no passado
Cuspimos, porém, no destino
Nos afogamos em sensações mil
Emergimos do céu azul escuro
Não podemos esperar nada
Nada uns dos outros
Delírios entre uma febre e outra
Talvez tudo seja um sonho
Sonho esse no qual eu vou acordar
E nada passará de uma brincadeira
Todos rimos
O mundo dorme.



Das pedras que somos
March 21, 2009, 3:45 am
Filed under: Poemas

Eu corro
Corro o risco
O risco de me envolver
Nas margens da minha história
Nas margens da sua história
O enlaçado levado, traçado, isolado
A forma fantástica de força
De dentro de mim
Emanando e atingindo o sólido
O sólido olhar petrificado
Das estátuas de sentimentos
Que dormiam em minha alma
E acordam, e se mexem
Querem tomar seu espaço
Não me deixam escolha
Mas eu tenho que tê-la
Tenho que dominar todo o incontrolável
Tenho que oprimir todo o incalculável
Levar ate as ultimas conseqüências
Qualquer tipo de loucura que possa pensar
E ter enfim concluído que valeu a pena
E ter chorado por não se arrepender
Esqueçamos tudo
É apenas uma ocasião a parte de nós
Esqueçamos essas trivialidades
Cada qual do seu lado da vida
Tentando viver sem nos envolver.



Claustrofobo
March 15, 2009, 1:42 pm
Filed under: Poemas | Tags:

As mãos passeiam no vazio escuro acinzentado
Tudo brilha em uma luz florescente tóxica
O vento nú me enforca em um dos cantos da parede
Eu quero liberta-me da noite que me cercou
Meus instintos não funcionam
Sinto algo se locomover no quadrado insólito que me encontro
Tento acompanhar com o olhar mas o breu estrangula minha visão
Passos são ouvidos, minha cabeça roda
Não calo minha mente que voa sobre o lugar
A liberdade é relativa.
O livre arbítrio é impossível
A claustrofobia é inconstante, não tenho como escapar
Se fecho os olhos escurece, se abro os olhos vejo o escuro inerte
Eu não existo em meio ao absoluto.
O tatil não atende minha necessidade
A luz não alcança o medo
Me afogo repetidamente no negro que me cerca
Até que em um dos absurdos pensamentos convulsiono dentro de mim
E dele nasce uma nova escuridão
Agora estamos nos fundindo para que no meu interior se faça a vela que espantará a acidez do meu suor
Eu já não choro, estou febril e cansada
Ainda escuto passos
Ainda tenho em minhas mãos os olhos que não tem visão
O pavor agora, naturalmente adentra minha alma
O tempo passa o estado não muda
Não é um sonho, nunca foi
Mas mesmo assim eu ainda quero acordar