O círculo se completa
E os cavalos se preparam para fugir
Uma pessoa passa por mim e grita
“Somos todos infiéis aqui”
Você crê em algo que te salve
Só lamento.
O vento me salva
Me segura no chão
Me faz voar
Fabuloso.
Eu gosto da terra
Do cheiro molhado
Do cabelo molhado
No chão dos meus pensamentos
Me tira a mordaça.
Eu caminhei por todo aquele azul
E trouxe uma grande cicatriz
Me tira a pureza.
Eu corri por toda a planície
Procurando algo para te dar
E achei colar de sonhos
Que nunca se realizaram.
A insaciedade é um mal terrivel
Enalteço a alma sociopata
O disturbio, a psicose, a anomalia
A ninfomania.
Enalteço a carne.
Eu posso ser os pecados de Bosch
No Jardim das Delícias Terrenas
E a morte da Nau dos Insensatos
A profanação do passado
O declínio do presente
As incertezas do futuro
Por fim, me tira a decência
Me transforma em objeto
Em arte, decantada.
Estudada, conhecida.
A pintura personificada
Da idéia viva a tela morta.
A cabeça resume o que a alma mente
Enalteço o risco preciso da mão.
Inda que viesse e fizesse da minha, sua vontade
Me levando para algo que eu desconheço
Inda que me lesse a alma
O coração em prantos diria ao nada
Que me carregasse aos ventos
Que me matasse a sede na sua boca
Que me conduzisse para onde tudo fora eterno
As canções já não são as mesmas
Que outrora as mãos vazias me mostravam
E o sangue já não é tão vermelho
Porém o sentido modificado do olhar
O sórdido pensamento em sentir
Que seja uma só respiração na minha pele
Não modificado, ainda clama.
O libido estoura os laços da decencia
Me conduz para um vale
Onde ecoam palavras suas
E o tempo pára, para nunca mais voltar
Quanto tempo perdemos na vida
Contemplando estrelas frias
Em um céu que não diz nada
Deitado na terra molhada
Dos sonhos nas noites em claro
E tudo se transforma em motivo
Futilidades para se viver
A vida que jogamos fora
Com furtivos olhares ao longe
Procurando sentido no mundo
Estamos tão sozinhos
Que a solidão torna-se normal
Nem nos percebemos nela
Já estamos instalados
Confortavelmente nos jadins vazios
As mesmices se fazem completas
Nos sentimos felizes por elas
E não sabemos o por quê
Qual o caminho mais incolor
Mais soluçado a seguir
Em paz talves
E a casa se destrói
Vemos beleza no terror
No negro do céu
Não entendo sua noção
Líricas nunca foram meu forte
Tenho medo do escuro.
Paramos o tempo novamente
E aqui estou
Nesse berço de discordia
Sendo comido pelos animais
E aqui estou
Quão forte seria a dor
Uma força incontrolavel
Energiza minha carne dura
Não quero saber de nada
Igualmente o meu pensamento
Nós podemos nos esconder ali
Guardando nossos corpos da chuva
Unicamente para não te ver molhar
É tão triste quanto eu falo
Mas não existe significado sólido
Sabemos por onde andar
E não podemos ir
Inda que cruzemos o destino
Mesmo que passemos adiante
Poderemos descansar no jardim
Onde nossa mente se perdeu
Roeu as melodias do passado
Trazendo lembranças esquecidas
Arruinando nossa cama calida.
A pitoresca paisagem ante meus olhos frios não é o suficiente para degelar a minha’lma. Na minha cabeça, o conservado sumo da putrefação aparente do meu corpo segue-se como abscessos de sangue borbulhante. O ódio incluso nas palavras ditas, mesmo que carinhosamente, não são ouvidos. Ninguém se importa se eu choro, mesmo porque eu não choro para alguém ver.
Eu espero que o mais cedo possível eu possa saber o que a vida me reserva, nadar em lodo sempre foi meu programa favorito. Eu vou derrubar as arvores e transformar meu espirito em algo funesto. As pessoas terão medo de me olhar nos olhos, eu representarei o lobo em pele de cordeiro, aplicarei o bote como cobra-coral, sem medo dos abutres que me rondam.
Sim, eu vou me lavar com seu sangue. eu não tenho mais medo dos pesnamentos dos outros. Eu só quero apodrecer em paz. Me deixem em paz.
O soco, o tombo, a cara no chão
O jeito implicito de se fazer entendido
A mão atinge o alvo frio
A dor é sentida, aparente.
Ele sangra, eu não me importo
Escarro em seu rosto
Enquanto ele sorri
Espera o tempo passar
O cansaço bate aos ombros
A morbidez no meu sorriso
Não sou sufucientemente clara
O tempo está acabando
Volte-se ao sol
Tente dormir quando ele se vai
Tudo é muito mais facil quanto parece
E se eu não quiser ir mais
Não quero
Nunca quis
Que tudo apodreça
Não me importo.
Ganhei um lindo presente
Uma cação para me orgulhar
Ilhas de mel, borbulhante veneno
Lindo para me embebedar
Haveria de ser o mais poderoso que
Então veio me encontrar
Reagindo levemente a seus abraços
Me pego sempre a pensar
Em nós dois em um canto do futuro
De tudo o que sonhei, você é realidade
E talvez um dia se vá, deixando-me saudade
Alguns instantes da minha vida
Logo se passam com você
Meu coração tão pobre
E minha alma tão fresca
Instruidos a não amar
Dão-se aos prantos ás suas mãos
A espera de um carinho seu.
Logo a dor se esvai
Onde tinha desespero, nascem sorrisos
Pelos campos da paixão passeamos
E de mãos dadas nos voltamos ao tempo
Zelando para que nosso futuro seja breve.

