Casa Hum


A Conquista do Espelho
November 23, 2008, 2:20 am
Filed under: Poemas | Tags:

O vidro de complexidade escassa
Ganha a silhueta de mulher
Ganha o sorriso de criança
E rouba dos panos sua cor

A reflexão triste de uma lágrima
Não diz nada a quem se olha
Mas diz tudo ao corpo desajeitado
De quem tenta se embelezar

O quadro de mártirio
Para quem pensa na vida
Olhando no seu próprio rosto
Medindo a profundidade do desgosto

A janela infinita que
Se refletida nela mesma
Forma um quê de orfandade
Uma brincadeira tão vazia

Uma tela que se quebra
Que te corta quando necessário
E te alerta quando possível
Através dela ver o sentido

Um livro, que quando lido
Entrega traços de parentesco
E truques de corações
Que só os olhos cegos vêem.



Não-Poético
November 23, 2008, 2:10 am
Filed under: Poemas | Tags:

A mordida provocada
E o beijo na nuca.
A mão passeia no vazio
O cálido corpo estreita-se
No vão vago do espaço
Esperando talvez um par
Talvez um laço
Ternura em um simples abraço
Treme a alma, de prazer
O pecado pecou em nós
A surpresa provou de nós
Somos o que nunca pensamos
E hoje a luxúria virou água
Bebemos o féu do mesmo prazer
As irritantes luzes brilhantes da rua
Machucaram minha visão nua
E furaram nossa carne crua
Por onde passou a linha do tempo
Que nos costurou nesse espaço
Estreito e escuro
Entre a razão e a paixão
Entre a pureza e a podridão.
Aceite-se, aceite-nos
Acabaram-se os mitos da noite
Já se faz claro o dia
E a relação entre animais e cria.
Canso de acordar de sonho repetido
Não durmo há dias
Não vejo mais sentido
Rimas acidentais ocorrem com freqüência
Em frases não-poéticas
Sem muita coerência.
Como as palavras e o sentido vem
Simplesmente de que tenta entender
Que a vida não é nada mais
Do que o incessante correr
Para nos tornarmos o que nunca quisemos ser.