A alma continuava apodrecendo. Agora tinha cor âmbar. Tudo se misturava com o vento.
Ela tinha a impessoalidade grudada na pele, ela tinha o nervoso pulsante nas mãos. Ela não tinha olhos, mas tinha coração. Ela não tinha sonhos, não tinha mais sono.
Andava um andar brando, cambaleante e solitário. Ela não queria parar. Talvez quisesse, mas seu corpo não a obedecia, era autônomo.
Seus músculos se comprimiam, lhe causavam dores horriveis, mesmo assim ela continuava. Não chovia. Era dia claro, sem pessoas nas ruas. Talvez estivesse só.
Sucumbiu. Deitou no asfalto quente e deixou que o sol derretesse o resto de alma que exalava. Sofreu de fato, morreu de fato.
De repente, com atingida por um raio, levantou-se em um salto.
Já não estava mais na rua, já não estava mais com dores.
No seu quarto, em frente a um grande guarda-roupas de cor marfim ela ergueu-se.
Abriu uma das portas. Não. Aquele não era seu quarto.
Onde estaria agora.
Isso era uma coisa que lhe acontecia com frequencia. Ela tinha tantas realidades em sua cabeça que sempre se perdia entre sonhos. E agora, estaria sonhando?
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