Acorde, já é dia
Não amanhece em mim?
É escuro, frio sempre aqui?
Talvez seja.
Levante, já é hora.
Eu não tenho tempo para mim?
E a escuridão se alastra na vida.
Talvez seja.
Meus pensamentos submersos
Minha alma densa e tranquila
É tudo tão natural para mim?
Por que?
Dos primórdios misturados
Nesse inerte, podre poder
Na imensidão de quadrados
Feitos para gente comer
O mar azul anil
O cheiro salgado da maresia
A lembrança passada sumiu
Enquanto o sol amarelo aparecia
Do vermelho tiramos a tinta
Para jogar nos dias fúria
E mostrar como que se pinta
A parede da cor da luxúria
As linhas pretas então
Quem dera um homem pensar
Que as cores felizes não são
Tristezas para disfarçar.
As veias do meu pescoço
Estão prontas para sucumbir
Ao beijo doce do homem
Que esteve prestes a partir
Não se vá, homem dos meus sonhos
Com o qual noites delirantes obtive
Envolta em febres e melancolia
Dentro de minha’lma onde nada vive
Leve pelo braço a mim
Sua oferenda fresca e pálida
A sua alta e escarlate alcova
Tocando com paixão a face cálida
A rima se faz desnecessária
Ante a tanta beleza
Dos meus, seus olhos verdes
Refletidos no espelho da tristeza
O que você tem a dizer sobre a vida medíocre que você leva em cima dessa terra podre? É difícil admitir que as pessoas não são tão perfeitas como você queria que fossem. E você, o que você anda fazendo para a melhoria das suas condições como ser humano, ser faltante, ser miserável, ser maldito.
Tudo é tão bonito antes de acordarmos para a verdadeira realidade. Tudo é tão azul.
Eu já não sinto mais fome de viver, é tudo tão comum e previsível. Não quero mais mirar no nada para atingir alguém. Quero ser objetiva, vibrante, ser pulsante e influente. Quero me emaranhar em teias diversas e pular de cabeça em qualquer poça de agua. Quero simplesmente poder dizer o que penso e não pensa no que digo.
Isso me faria uma pessoa melhor, eu sei que faria. E todas as outras seriam só outras e não tão importantes quanto a importancia que eu daria a saúde do meu espírito livre.
Passos lentos e cobertos de melancolia fazem marcas na areia do chão. Um, dois, três, e vou contando em um trajeto longo.
Não é mais impressão. Eu realmente estou sozinha. E parece que o mundo se virou contra meus instintos, passos cada vez mais lentos, agora eles marcam o calçamento, um, dois, três, recomeço a contar. A cabeça roda e tudo parece se perder, o calor faz com que eu já não pense. Somente uma grande tristeza me abate aos ombros, um, dois três.
Eu passo por tantos lugares diferentes e quando me dou por mim, já estou muito longe de mim mesma e os passos cada vez mais vagarosos fazendo marcas na minha alma, um, dois, três.
Agora sou eu e o vento.
Um, dois, três.
O sarcasmo sutil
O mau humor congênito
As mãos suadas
O rosto fervendo
O nervoso de ver
O êxtase de sentir
Tão perto
…tão longe
Então um dia extravasa
E vaza pelos pelos meus poros
Pelos seus braços
Pelo nosso sorriso.
Duplos sentidos cruéis
Um movimento sutil
Estamos no jogo
No perigoso meio-fio
E o nervoso de ver
O êxtase de sentir
Tão perto
…tão longe
Eu penso em querer o óbvio
Que você não quer a si próprio
E querendo te querer eu quero
Viver em você
Do mesmo jeito que sem querer
Você se instalou em mim
Dos corações trocados
Dos olhares cruzados
Estamos frente a algo inexistente
Em nós, para nós
Mas você não me vê
Como eu vejo você
Mas você não me quer
Como eu quero você
E não querendo te querer como eu quero
Vou me alastrando no vento
Querendo viver a realidade
Dos sonhos que não quero ter.
O tempo passa
Devagar
O tempo abraça
E me deixa triste
Sua voz não ecoa
Sua voz não ecoa
Hoje dentro de mim
No ar
É frio e triste
Porque o tempo passa
Devagar
Quando você não passeia
No ar
Quando você não me abraça
Assim
Com sua voz ecoando
Dentro de mim.

