Mais pensamentos piegas rodam pela minha cabeça doente.
Dias e dias intermináveis, eu penso em nada e tudo.
Hiatus criativo, moral, físico.
Sedentarismo interno, os movimentos não respondem.
Cansaço dos globos oculares, não se abrem.
Formigamento na ponta dos dedos.
Dores fortes de cabeça.
Maldito barulho incessante, irritante.
Vozes que não vem do ambiente.
Anda, andam, anda em volta de mim.
Dor que não se descreve.
Preferia ter amputado um braço.
Não, não é emocional.
Apaga a porra da luz daqui.
Eu tô cansada de repetir os dias.
Não quero levantar.
Estática, inerte, estática, inerte.
Pára de dizer o que eu devo fazer.
O cobertor é o único abraço sincero.
Eu não vou comer essa merda.
Só me deixa em paz.
Eu vou dormir a semana toda.
Os sentimentos pequenos são os mais difíceis de se escrever, porque se trata de algo puro e inocente, na mesma medida que ele pode crescer e se tornar algo arrasador, marcante, forte e cada vez ele fica mais indescritível. Sentimentos indescritíveis não são o forte da minha alma, ela não aguenta a pressão, ela não sabe o que pensar, isso torna minha existência algo cruel e fraco. Saudade, lembranças. Enfraquecendo, enfraquecendo, até nada mais habitar em mim.
Exteriorizar os sentimentos nunca foi uma boa ação, nunca se consegue expressar com exatidão o que se quer. Gera conflitos internos, externos.
Principalmente ás vidas envolvidas. Preferimos então, sufocar os sentimentos pequenos, para que eles não brotem, para que não criem flores, nem frutos e nem fiquem mais belos do que os sentimentos que já cultivamos.
Nos limitamos a viver dentro de uma cerca de madeira, na qual colocamos nossos pertences e não os deixamos sair, muito menos algo novo entrar.
Entramos em crise, em ‘parafuso’, surtamos em nos comemos por dentro.
E viramos sacos de coisa nenhuma misturados com muitas desilusões e restos de sentimentos indefinidos.
Apesar da distância é irresistível acreditar
Que tudo não passou de tempo vão
E que a vida ainda esta por começar
Estamos tristes e sozinhos
Apesar de sabermos que pessoas existem
E queremos só a nossa própria companhia
Um do outro, somente, e mais nada
Queremos ser o que não somos
Apesar de termos poderes para mudar
Para dar um chute na vida
E fazer com que nossos planos se concretizem
Ainda estamos presos no chão.
Apesar de tudo, apesar do tempo
Os seus olhos me conduzem
Seu corpo me atraí
Mas eu não sei se devo ir.
Apesar do destino
Eu quero sentir seu cheiro
E pegar na sua mão
E ser sua, talvez para sempre.
O pequeno minúsculo aos pés do homem
Dentes cerrados irregulares.
Dedos doentes, sorrateiros
Passeiam, se pregam por você.
O arrepio na espinha
Os olhos acinzentados
o cheiro do seu corpo
Açucarado, enjoativo
A sala toda roda
Um rodopio lento
Cruel, sarcástico
E me toca, instrumental.
A face desbotada
Os papeis rasgados firmes
Os monumentos de vidro
Espalhados no carpete.
Dentes cerrados irregulares
Repetição de círculos no ar
Espera da lâmpada açucarada
Continue sorrindo para mim.
Batidas inalcançaveis no horizonte
Pode parar de respirar agora
Morda-me com toda sua força
Saboreie a alma que te dei.
Shhh
Eu escuto ele chegar.
Quão cedo é agora?
Se minha timidez vulgar
Atingisse seu rosto pálido
E você não dissesses nada
Seria uma paixão ao vácuo.
O espaço que cresceu
Entre você e o mundo.
A lacuna, a protuberância
Entre você e eu.
Eu tenho motivos
Para pensar o que quiser,
Pois você cala sua alma
Amordaça meus sentidos.
Não tenho nada a oferecer
Sou puramente o que vê.
Sou criminalmente impessoal
Exclusa de mim.
Eu preciso amar as coisas
Tudo o que me cerca
Sem maldade, sem receio
Eu preciso ser amada.
Quão Tarde é agora?
Se minha segurança sagaz
Atingisse seu rosto cálido
Eu poderia dizer algo bonito
Para combinar com o que sou.
A junção que cresceu
Entre você e o mundo
A ponte, a colina
Entre você e eu.
Eu não tenho motivos
Para pensar mais nada,
Pois eu me calei por dentro
Amordaço seus sentidos.
Eu tenho tudo a oferecer
Não tenho purezas vivas.
Sou a impessoalidade criminal
Inclusa em você.
Eu não preciso amar nada
Tudo é fútil e vazio
É mal e receoso
Eu não preciso ser amado.
E a inspiração me veio quando a expiração era involuntária. Eu sem saber fui me entregando, apaixonadamente. Ele me embalava em caricias doces, me levava para onde ele queria. Eu não resistia, não tinha como, estava cansada de resistir. As auras se misturavam diante dos meus olhos, tanto, que a visão virou somente uma massa de coisas embaçadas. Agora não tem o que fazer, não tem como se arrepender. É tarde para se confessar, para evitar. É tarde para voltar.
Enfim, passado um tempo fundimos corpo e alma e nada mais existe entre nós. Nada passa despercebido pelos nossos sentidos. Somos um.
E encontramos o solo.

