Casa Hum


Soco na Mente
July 18, 2008, 4:15 am
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Corre, corre, corre
Pára, olha, olha.
Atravessa, corre, corre
Pára, desvia, corre.
Corre, corre, corre.
Esbarra.
- Desculpa.
Escorrega, cai.
Levanta, pára.
Estica, arruma e corre.
Corre, respira, pára.
Espera, atravessa.
Passou, caiu, abriu.
Parou, passou, passou.
Sangrou, sorriu, parou
Morreu.



Porcas Borboletas
July 18, 2008, 4:10 am
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De tanto palpitar
Meu abdômen lateja
Em meio a imunda peleja
Do doce cruel andar

Procuro beleza na coisa feia
Ando e vivo em sujeira mole
Conto água do mar no gole
Como restos salgados na areia

O meu vômito de ontem
Dá de comer aos porcos
Que dão de comer ao homem

O que hoje me dói os ossos
É o que alegra o alguém.
E cospe resto nos pratos nossos.



Cogito ergo sum
July 12, 2008, 4:58 pm
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Eu olho repetidamente
Para uma região inerte
E penso em dar vida
A coisa que não se mexe

Eu espero incessantemente
Algo de novo no ar
Eu amasso rosas
Quero voar

Até pensei um dia
Em parar de pensar
Mas isso é impossivel
Inevitavel, eu sei

Andei por tantas léguas
Ensinando cantigas
Aos passaros crueis
Que esperam a morte chegar

Quebrei coisas antigas
Repintei as paredes
E coloquei a venda
A minha alma vazia

Me engoli por dentro
Digeri meus sonhos
Me completei até destruir
Tudo o que era eu

Explodi meu ego
Invadi meus instintos
Violei meus planos
E me alastrei no vento

Agora eu sou tudo
E nada ao mesmo tempo
Existo, não sou sólida
Mas me espalho como líquido



O Sorriso
July 12, 2008, 4:26 pm
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Reluzia ao norte escuro
Um pingo de flor marinha
A salvar o viajante noturno
Do pesadelo em que caminha

O medo em si é nada
Diante da força de viver
Então a alma atada
Encontra um doce poer

Para o céu não olho mais
Nem perco-me no horizonte
Não conto estrelas no cais

Eu saí detrás do monte
E sei pra onde ir
Quando o dia vai a dormir