
Um poema escrito ás escuras
Para manchar o papel de tinta preta
Tudo baila, rodopia no ar, suspende
E se põe naquele horizonte azulado
As árvores na sua dança frenética,
Desenvoltas no vento
Derrubando as maçãs no chão
Dando de comida aos vermes
Eu não estou bem, mas está tudo tão colorido
E agora os abutres rondam a mim
A carne prestes a sucumbir
O corpo levantou-se
Disse ser perda de tempo ficar aqui
Os últimos suspiros do dia eu sinto em minha pele
Sensualidade nos passos do som
Levemente entrando em minhas veias
Suavemente eriçando meus pêlos
O belo, o puro enegreceu meus pobres olhos
Encheu de raiva meu coração
E agora os abutres rondam a mim
As maçãs, por mais que caiam já não servem mais
Aos vermes que espreitam a arvore morrer
Estamos cansados de esperar
Mas o dia está tão lindo e fresco
Vamos nos sentar e conversar sobre besteiras até anoitecer
Sinto olhos estreitando meus movimentos
Reclusos em algum canto da minha alma
Estou feliz e vejo o balanço das crianças
É um clima com cheiro de malva
A tarde cai já com as névoas formadas
E agora os abutres rondam a mim
Esperando eu dormir

