
Eu não minto sentimentos
Em folhas de papel rasgadas
Eu sinto o que realmente sou
E não consigo evitar instintos
A pele eriça sem querer
Os olhos olham sem olhar
Tudo é sensitivo demais
E tudo é sutil
Aprecia os detalhes
Como um tigre em plena caça
Cerca, seduz a presa
Para que morra apaixonadamente
As cortinas do tempo se abrem
Mostrando que mais uma vez
Minha natureza animal predominou
Mas desta vez a caça era eu

Um poema escrito ás escuras
Para manchar o papel de tinta preta
Tudo baila, rodopia no ar, suspende
E se põe naquele horizonte azulado
As árvores na sua dança frenética,
Desenvoltas no vento
Derrubando as maçãs no chão
Dando de comida aos vermes
Eu não estou bem, mas está tudo tão colorido
E agora os abutres rondam a mim
A carne prestes a sucumbir
O corpo levantou-se
Disse ser perda de tempo ficar aqui
Os últimos suspiros do dia eu sinto em minha pele
Sensualidade nos passos do som
Levemente entrando em minhas veias
Suavemente eriçando meus pêlos
O belo, o puro enegreceu meus pobres olhos
Encheu de raiva meu coração
E agora os abutres rondam a mim
As maçãs, por mais que caiam já não servem mais
Aos vermes que espreitam a arvore morrer
Estamos cansados de esperar
Mas o dia está tão lindo e fresco
Vamos nos sentar e conversar sobre besteiras até anoitecer
Sinto olhos estreitando meus movimentos
Reclusos em algum canto da minha alma
Estou feliz e vejo o balanço das crianças
É um clima com cheiro de malva
A tarde cai já com as névoas formadas
E agora os abutres rondam a mim
Esperando eu dormir
Tantos anos e anos
E o sentimento que eu queria
Sentir brotar na carne
Na sua face
Não vejo
O desenrolar da história
Sem palavras de amor
Desesperanças contidas
E sorrisos dados em vão
Quisera eu olhar nos seus olhos
Ver o ardor da paixão
Pudera eu achar em você
O que me corrói tanto?
A tristeza não dissipa-se
Pode ser somente eu que vejo
Seus sentidos passeando
Procurando outros corpos
Pudera eu estar no seu coração?
Quisera eu penetrar na sua mente
Te ver feliz, no agora, comigo
Não vejo.
Escrever uma carta é bem difícil, pois nunca se sabe como começa, ou quando termina, por mais que o escritor saiba escrever. A carta é um pedaço de coração que não se diz, e, muitas vezes, nem escreve.
Sabe, eu faço cartas todos os dias na minha cabeça, ela sempre está endereçada as pessoas que eu amo. Eu amo mais do que você pensa, eu sinto mais do que todos vocês e assim, todo momento cartas e mais cartas vão surgindo.
Por vezes são tristes e cheias de rancor, por outras não, são alegres, coloridas. Uma coisa é certa, nas minhas cartas não se têm nenhum tipo de figura.
Eu acho que isso representa um pouco de frieza da minha parte, mas na verdade, dentro de mim, eu sei que não.
Hoje, por exemplo, eu queria escrever uma carta para você, exatamente para você, a pessoa que compartilha dos meus sonhos já a um bom tempo, que faz parte da minha vida, e que eu espero que um dia me ame como eu sempre quis ser amada.
Você, que um dia triste outro alegre constrói um futuro só nosso, só meu, com varias palavras lindas, diferentes e faz com que meu destino oscile entre coisas dantescas e kafkianas. Isso é tão maravilhoso, simplesmente inexpressível em palavras.
Eu olho pela janela todos os dias e vejo algo sincero brotando de algum lugar, será que sou eu, será que é você.
Com sua presença eu consigo dar vida a pensamentos mortos sem muito esforço, é tudo tão dançante e risonho ao seu lado e tudo tão brilhante, ao mesmo tempo, dentro de mim ecoam coisas sem sentido, emoções aflitas por explodir a carne, mas a minha boca não profere uma só palavra.
O meu bloqueio mental, quebrado pela realização de poder sentir sua respiração e poder pensar que um pedacinho de você sempre correrá em mim, mesmo que for na mente.
Acho que eu não consigo perder, sou uma péssima perdedora, sei disso e admito. Com você, simplesmente não há como lutar, minhas armas são insuficientes e quando eu acho que surgiu um jeito de eu te vencer, você destrói tudo com um sorriso.
Acho que acabei escrevendo uma carta de amor, não foi minha intenção.
Infelizmente, eu, uma pessoa totalmente impotente tenho que te dizer uma coisa que talvez acabe com o meu orgulho eternamente: Eu preciso de você.

